Atrações imperdíveis no Carnaval do Recife e de Olinda

Quando se fala em Carnaval do Recife e de Olinda (PE), muita gente pensa apenas no frevo e na famosa composição Vassourinhas, de Matias da Rocha e Joana Batista. É verdade que o frevo é símbolo do carnaval pernambucano, mas se engana quem acha que termina por aí. As cidades-irmãs, distantes uma da outra cerca de 7km, oferecem ao folião uma enorme diversidade de manifestações culturais e festas para todos os gostos. Preparamos uma lista de 10 coisas imperdíveis para fazer no carnaval de Recife e Olinda. Confira e caia na folia!

1.Galo da Madrugada
Considerado o maior bloco do mundo – já bateu o recorde de 2,5 milhões de participantes – o Galo leva esse nome porque sai bem cedinho, às 9h, do Bairro São José, no centro da cidade. A concentração começa por volta de 7h. São cerca de 30 trios elétricos que fazem a alegria do público em um percurso de aproximadamente 5km (confira o trajeto de 2016). O grande rei da festa é a escultura gigante do Galo, que fica na ponte Duarte Coelho. Atenção: o bloco é uma experiência para quem não tem medo de multidão: o empurra-empurra é grande e o calor também. Mas a emoção e a animação dos foliões são proporcionais ao tamanho da festa. Para evitar aperreio, a dica é não levar objetos de valor e beber muita água em odo o percurso.

2. Sábado em Olinda
Para quem prefere fugir da muvuca do Galo, a opção é fugir para Olinda no sábado de Zé Pereira. A cidade conhecida por suas ladeiras fica apinhada de gente em todos os dias no Carnaval. No sábado, entretanto, como muitos foliões optam por participar do tradicional Galo, a cidade histórica fica (um pouco) menos lotada. Entre os blocos que desfilam por Olinda no sábado estão o Eu acho é pouco, o Bloco do Mangue Beat – em que os foliões saem sujos de lama -, e o Tá Bom a Gente Freva, que entoa clássicos do rock em ritmo de frevo.

3.Fantasie-se!
Se você está indo passar o carnaval na cidade, não esqueça de colocar a fantasia na mala. Seja no Recife ou em Olinda, as cores, o brilho e a irreverência são marcas do carnaval pernambucano. Desde simples adereços na cabeça, passando por sombrinhas de frevo até vestimentas mais elaboradas, a maior parte do público curte a folia fantasiada. Além da graça em se vestir, boa parte da diversão está em apreciar as fantasias dos outros foliões. Um dos blocos de Olinda em que os trajes são a atração principal é o Enquanto Isso na Sala da Justiça, que desfila na manhã de domingo. Os super-heróis, personagens de filmes e dos quadrinhos são o tema da festa. Aproveite para colocar a criatividade de fora e capriche!

4.Eu acho é pouco
Um dos blocos mais tradicionais do carnaval pernambucano, o Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho é Pouco desfila em Olinda no sábado de Zé Pereira e na Terça-Feira Gorda, com concentração na Cidade Alta. Foi fundado por um grupo de amigos em 1977 e arrasta uma multidão vestida de amarelo e vermelho, as cores do agremiação, que tem como principal símbolo um dragão. O bloco tem também uma versão infantil, o “Eu acho é pouquinho”, uma opção para quem não quer encarar a multidão do “bloco-mãe”.

5.Pulando de pólo em pólo + Recbeat
Uma das característica do carnaval da capital Recife é a distribuição “descentralizada” da folia. A prefeitura organiza diversos pólos espalhados pela cidade, cada um com uma programação diferente. Em 2016 são 52 locais, sendo os principais no bairro do Recife Antigo. Os grandes nomes da festa – Alceu Valença, Elba Ramalho, Naná Vasconcelos, Almir Rouche, Lenine – se apresentam no Marco Zero. Mas a variedade musical é imensa, inclusive para quem não é tão fã do frevo. Uma das opções é o RecBeat, festival alternativo que acontece durante o carnaval, também no Recife Antigo, mais especificamente no Cais da Alfândega. Com mais de 20 anos de história, tem como marca trazer nomes da música independente e revelações nacionais e internacionais. Rock, blues, rap, jazz e ritmos latinos marcam presença no palco do festival.

6.Noite dos tambores silenciosos
Um lindo espetáculo de valorização da cultura e da religiosidade negras toma conta do carnaval do Recife na noite de segunda-feira no Pátio do Terço. A cerimônia reúne grupos de maracatus de todo o estado e seus tambores para louvar os ancestrais africanos. Diz a tradição que os antigos escravos não podiam manifestar suas crenças e por isso realizavam cortejos em silêncio, o que deu nome à celebração. A festa começa com a apresentação das nações de maracatu. O ritual atinge seu ápice à meia-noite, quando as luzes são apagadas e o público fica em silêncio, que é interrompido apenas pela batida dos tambores. O pernambucano Lenine compôs uma canção chamada “À meia-noite dos tambores silenciosos”, que ilustra bem o ritual e a emoção da festa.

7. Encontro de Maracatus Rurais
No fim da tarde e início da noite domingo, o Recife Antigo é tomado por grupos de maracatu rural de várias cidades de Pernambuco. Eles se apresentam no palco do Marco Zero e depois desfilam por entre as ruas tomadas de gente. As cores das roupas dos cablocos de lança, personagem principal dessa manifestação cultural, é hipnotizante. Os grupos são formados, em geral, por trabalhadores do campo que se orgulham muito de manter essa tradição. Além dos chapéus coloridos e brilhantes, as roupas bordadas por lantejoulas e a flor na boca são a marca do personagem. A cidade de Nazaré da Mata sedia as principais apresentações de maracatu durante o carnaval, mas no domingo os grupos levam a tradição à capital. Olinda também sedia alguns encontros de maracatu ao longo da folia.

8. Blocos Líricos
Na segunda-feira, uma das atrações do carnaval do Recife são os blocos líricos, que lembram os carnavais antigos e trazem um certo romantismo às ruas da cidade. O frevo é mais lento, cantado, e os grupos carregam com orgulho o estandarte que indica o ano da fundação, trazendo o peso da tradição. As fantasias dos componentes são caprichadas no brilho e nas plumas. A agremiações também trazem uma orquestra composta por bandolins, flautas e clarinetes. É uma pausa no frevo frenético para recuperar o fôlego e viajar para os carnavais de um outros tempos.

9. Alceu Valença
O cantor é quase um símbolo da folia pernambucana. Não vão faltar oportunidade para que você o veja. Seja na varanda de sua casa em Olinda, de onde costuma dar uma canja durante o carnaval, ou no grande show de encerramento da festa, no Marco Zero, com suas canções Alceu anima a festa em Pernambuco. O repertório se repete a cada ano e nem por isso desanima o público: Diabo Louro, Bom Demais, Voltei Recife, Como dois Animais, Morena Tropicana – tudo em ritmo de frevo para ninguém ficar parado.

10. Arrastão do Frevo
Na noite de terça-feira e na madrugada de quarta-feira, a festa se transforma em uma mistura de euforia e tristeza pelo fim do carnaval. Ninguém quer que a folia acabe e por isso ela tem um encerramento especial no Recife Antigo, o chamado Arrastão de Frevo. Com orquestras de frevo e bonecos gigantes, acompanhados pelos valentes sobreviventes que curtem a folia até o último minuto, o arrastão marca o fim da festa com o raiar do sol na quarta-feira.