Rio de Janeiro Carnaval 2017 : Imperatriz Leopoldinense

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A escola de samba de Ramos, Imperatriz Leopoldinense levou ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí, na madrugada de segunda-feira (27.02.17), o enredo “Xingu, o Clamor que vem da Floresta”, que trata da rica contribuição dos povos indígenas do Xingu à cultura brasileira e apresenta uma mensagem de preservação e respeito à natureza.

A homenagem ao povo do Xingu chega em momento em que os povos da região travam luta contra a chegada da usina hidrelétrica de Belo Monte, que provocou mudanças na fauna e na flora da região. A escola se viu imersa em polêmicas após críticas de ruralistas ao enredo, já que a Imperatriz também fez alerta contra o uso do agrotóxico nas lavouras brasileiras.

O cacique caiapó Raoni Metuktire, 86 anos, foi destaque em um carro alegórico dedicado à ele e teve a ajuda do neto Beptuk Metuktire, 22 anos, para traduzir sua mensagem de agradecimento para o português. “Que bom que os brancos lembraram de nós, porque tem muito impacto o que vem causando na população indígena quando querem destruir nossos parques e florestas e poluir os rios”, disse o cacique. 

Para Ianacula Kamayura, 61 anos, não foi surpresa que o enredo tenha incomodado o agronegócio. “Como indígenas do Xingu, ficamos muito emocionados de poder estar aqui diante dessa multidão para trazer à tona todos os nossos problemas”, disse o indígena. “O enredo fala mais do respeito, da necessidade de preservar a terra. Mas a verdade, às vezes, dói.” O último título da escola foi em 2001.