Rio de Janeiro Carnaval 2016 – Confira como foi o segundo dia de desfile das escolas de samba do Grupo Especial

Desfile Portela Carnaval 2016 Rio de Janeiro - RioTur

O desfile de carnaval 2016 do Grupo Especial das escolas de samba do carnaval carioca foi aberto na segunda-feira (8.2.16), com o Hino Nacional tocado pela Banda Sinfônica da Guarda Municipal do Rio.

Os casais de mestre-sala e porta-bandeira de todas as escolas do grupo foram os primeiros a atravessarem a avenida. Eles desfilaram em uma alegoria com a tocha olímpica e as bandeiras do município e do estado do Rio , além da bandeira olímpica. O desfile foi ao som de Cidade Maravilhosa.

A Unidos de Vila Isabel foi a primeira escola a desfilar. A cantora Mart’nália, que é uma das autoras do samba-enredo em homenagem ao centenário de Miguel Arraes, disse : “Tenho um monte de lugar aqui na Vila. Se der mole, venho de baiana. Só não dá para sair de mulata”, brincou a sambista.

Mart’nália afirmou que a Vila é uma escola de samba de verdade na avenida. “Uma escola de samba não é feita só da alegria, do esplendor, mas do samba, da bateria. Tudo junto como uma família. Só quero saber que eu sou Vila Isabel”, acrescentou momentos antes de entrar na Passarela do Samba.

O Salgueiro colocou o malando na praça outra vez. Logo que o samba enredo da escola começou a ser tocado na Marquês de Sapucaí, o público, em todos os setores do Sambódromo, acompanhou com uma vibração contagiante. Era um sinal do ritmo forte que a segunda escola da noite de segunda-feira (8.2.17) imprimiria na avenida para apresentar o enredo A Ópera dos Malandros, desenvolvido pelos carnavalescos Renato e Márcia Lage. “O que eles fizeram na bateria foi show de bola”, disse o mestre Marão, sobre a Furiosa, como é chamada a bateria do Salgueiro.

As alegorias extensas e pesadas não impediram que a escola evoluísse no tempo sem atropelos. Vários tipos de malandro passaram pela avenida em um desfile marcado pela alegria dos componentes.

A tia Taninha, do Caxambu, no Morro do Salgueiro, foi passista, ritmista e agora está na Velha Guarda. Ela disse que o samba mexeu com os componentes. “Que beleza, muito bom. Dá uma emoção danada, não tem explicação”, disse, avaliando a possibilidade da escola conquistar o título de campeã. “Vamos ver, quem sabe é jurado! Estamos na briga. Senti que a escola veio bem e a comunidade gostou do samba, foi apoiado”.

Apesar do bom desfile, o abre-alas da escola teve um problema de iluminação durante o desfile, mas pouco depois ao normal.
Outra escola que também apresentou problemas foi a São Clemente. O carro O Grande Circo e o Respeitável Público emperrou diante do setor 7 e foi preciso ter o auxílio da ala da força com cerca de 12 empurradores para que se movimentasse. Mas o público aplaudiu. “A gente se juntou para dar uma força e empurrar para engrenar”, disse Agnaldo Gonçalves, que é da ala da força da São Clemente.

O desfile da amarelo e preto de Botafogo, na zona sul do Rio, foi descontraído e seguindo exatamente o enredo Mais de Mil Palhaços no Salão. “Mais uma escola cantando o circo nesta grande ópera popular. Viva o circo! Estou muito feliz. Parece que tudo valeu a pena. 30 anos de entrega voluntária, de amor, doação para um segmento que é o circo. Hoje vê-lo cantado dessa forma tudo valeu a pena”, disse o ator Marcos Frota, que tem um circo e desenvolve projetos de arte circense. No grupo da Série A, ele tinha desfilado na sexta-feira com a Porto da Pedra, em homenagem ao palhaço Carequinha.

A carnavalesca Rosa Magalhães veio sentada em uma das alegorias, que representava o Castelo dos Bobos e a Carroça dos Saltimbancos. É um costume de Rosa vir misturada a outros componentes em alegorias.

No final da escola ela transformou a avenida em um panelaço. Duas alas vieram com panelas e tampas nas mãos e os palhaços se manifestavam, tocando no ritmo do samba. O carro que veio logo atrás estava todo decorado nas laterais com panelas de diversos tamanhos e se chamava Manifesto do Palhaço.

Depois da São Clemente quem impressionou o público foi a Portela. A viagem da águia, símbolo da escola, pela humanidade, garantiu o destaque de ter sido considerada, junto com o Salgueiro e a Mangueira, como as melhores apresentações do segundo dia do Grupo Especial.

Para contar o enredo No voo da águia, uma viagem sem fim, o carnavalesco Paulo Barros modernizou a escola e agradou os integrantes da Velha Guarda, pelo respeito à tradição da azul e branco. “Ele não fugiu à tradição e fez um trabalho maravilhoso”, indicou Tia Surica desfilou no chão antes da comissão de frente. “Eu fiquei muito emocionada, mas pela minha escola faço qualquer coisa”.

A comissão de frente, como já é uma das marcas dos desfiles de Paulo Barros, causou forte impacto no público. Ela representava a Odisseia de Homero. Os integrantes, que são bailarinos, tiveram que se movimentar muito. Eles subiam em uma alegoria onde estava o atleta deflyboard Cláudio Matos, vestido de Poseidon, deus da mitologia grega. O equipamento usado por ele permitiu ser elevado com jatos de água a uma altura de até de 30 metros e ficar parado no ar. Toda vez que isso acontecia ao longo do desfile, o público vibrava.

Por causa dos movimentos rígidos, necessários para realizar a coreografia, os integrantes da comissão tiveram o auxílio nos ensaios do fisioterapeuta Vitor Pessanha e do preparador físico Jalber Rodrigues. “É uma coreografia inusitada e tem muito esforço físico. Além de trabalhar a parte física a gente trabalhou a eficiência mecânica e isso foi bem legal para o resultado final”, contou Jalber.

O fisioterapeuta confeccionou uma bota especial para cada integrante para amenizar possíveis lesões de tornozelo, já que os bailarinos desciam de uma parte muito alta da alegoria. Momentos antes do desfiles eles fizeram um trabalho com os bailarinos.

“Na concentração foi feito um trabalho de massagem para deixar a musculatura bem solta para eles realizarem os movimentos na avenida. Com o Jalber, eles fizeram um trabalho para a musculatura chegar ativada para dar tudo certo e graças a Deus conseguimos”, disse Vitor. Os dois nunca tinham feito trabalhos para escolas de samba.

As duas últimas escolas de samba do Rio de Janeiro que passaram no Sambódromo da Marquês de Sapucaí na madrugada de terça-feira (9.2.16) apresentaram enredos em homenagem a ídolos da música brasileira.

A Imperatriz Leopoldinense levou para a avenida a dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano. Os dois estavam no último carro, que fazia referência à música É o Amor, sucesso que marcou a trajetória dos irmãos.

Na frente da alegoria estava seu Francisco, o pai da dupla, que incentivou a carreira deles. E foi preciso usar um guindaste para colocá-lo na poltrona reservada para ele na alegoria, para evitar que se cansasse durante o desfile. Mas seu Francisco não teve medo e seguiu as orientações da equipe de segurança. A tranquilidade dele ficou evidente quando o carro dobrou a esquina na Avenida Presidente Vargas para a Marquês de Sapucaí. Logo se levantou e ficou acenando com um chapéu de palha para o público. Os filhos vieram na parte mais alta do carro. Zezé, de verde, e Luciano, de branco, as cores da escola da zona norte do Rio.

Eles não foram os únicos artistas no desfile. A cantora e compositora Paula Fernandes se apresentou no tripé Abelha-Rainha, simbolizando a polinização das abelhas entre girassóis de campos goianos. O ator Ângelo Antônio e a atriz Dira Paes, que representaram o seu Francisco e dona Helena, mãe da dupla, no filme Os Dois Filhos de Francisco, vieram fazendo encenações de um casal em uma casa simples do interior.

No carro decorado com 180 violões, que serão doados depois do desmonte para instituições de ensino de música, vieram, entre outros cantores, Sérgio Reis e Alexandre Pires. No carro de som, ao lado do intérprete Marquinho Art’Samba, tocando uma sanfona, estava a cantora Lucy Alves. A escola fez um desfile correto com os componentes evoluindo bastante e cantando o samba.

O encerramento da noite ficou por conta da Mangueira, em um desfile que emocionou o público. A homenageada foi a cantora Maria Bethânia, pelos 50 anos de carreira. O enredo Maria Bethânia- a menina dos olhos de Oyá permitiu uma Mangueira diferente dos últimos anos.

“Tinha pouco ferro, não tinha muito esplendor. Acho que foi um desfile com visual moderno. Tem um visual diferente, mais leve. Para a Mangueira foi diferente e fico feliz deles terem gostado para caramba”, disse o carnavalesco Leandro Vieira, na dispersão da Marquês de Sapucaí, que durante o desfile comentou que o dengo da baiana estava “dando certíssimo”. O dengo da baiana é uma parte da letra do samba-enredo

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, que é mangueirense, entrou na avenida à frente da escola. Ele disse que o enredo da Mangueira permitiu ainda um apoio à negação à intolerância religiosa. Juca Ferreira destacou também que a carreira de Bethânia é marcada pela valorização da música brasileira e resgate da cultura popular. “Bethânia é uma das grandes artistas do Brasil e seu canto está muito vinculado à cultura popular brasileira. O resgate, a defesa e o canto. Ela expressa o que de há de melhor no Brasil em termos culturais”, disse.

A Mangueira também tinha uma alegoria intitulada Abelha Rainha, mas era uma relação de como a cantora é chamada após ter gravado a música Mel. Neste carro vieram vários amigos da cantora como as também cantoras Ana Carolina, Adriana Calcanhoto e Zélia Duncan, o compositor Moacyr Luz, e a diretora de teatro Bia Lessa, que já dirigiu vários espetáculos de Bethânia.

No fim do desfile, Maria Bethânia, emocionada, acenou para o público das arquibancadas populares da Praça da Apoteose. Ela desfilou no último carro, chamado de Céu de Lona Verde e Rosa, ao lado das afilhadas Nina e Júlia, de 12 anos, e enquanto dava um abraço nelas ouviu o público consagrando a escola com o grito de é campeã.