Rio de Janeiro Carnaval 2016 – Seis escolas do Grupo Especial desfilaram no domingo na Marquês de Sapucaí

Carnaval 2016 - Estácio de Sá - Foto: Marco Antonio Cavalcanti | Riotur
Carnaval 2016 – Estácio de Sá – Foto: Marco Antonio Cavalcanti | Riotur

A programação de desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro no Carnaval 2016 teve  no domingo (7.2.16), as apresentações da Estácio de Sá, União da Ilha do Governador, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Grande Rio, Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca. Na segunda-feira (8.2.16), outras seis escolas complementam os desfiles do grupo especial.

Estácio de Sá
Depois de cinco anos pesquisando a história de um dos santos mais populares do país, o carnavalesco Chico Spinosa viu o sonho realizado na avenida. Ele comemorou a recepção do público à Estácio de Sá, escola que abriu o desfile do Grupo Especial com um enredo sobre São Jorge.

“Acho que o Rio de Janeiro é devoto de São Jorge. Não só os componentes, não só os sambistas. A cidade do Rio de Janeiro tem por São Jorge como o primeiro”, declarou o carnavalesco após o desfile. Campeã da Série A, antigo grupo de acesso, no ano passado, a eswcola obteve o direito de subir neste ano para o Grupo Especial, considerado a elite do carnaval carioca.

Chiquinho, como é chamado, diz que a pesquisa sobre o santo deu trabalho, mas compensou. “Passei por tudo em busca de São Jorge. Viver esta experiência porque também sou devoto. Fiquei muito feliz em colocar São Jorge abençoando esta avenida para que tenhamos grandes carnavais”, completou.

Ao ver as arquibancadas populares da Praça da Apoteose, área de dispersão das escolas, aplaudindo e cantando o samba com a bateria ele ficou com os olhos cheios de água. “É muito bom. A gente fica emocionado. Estou voltando. Passei muitos anos fazendo carnaval em São Paulo e o que estou sentindo é que o Rio de Janeiro ainda me recebe de braços abertos”, ressaltou.

O ator e diretor Jorge Fernando chegou emocionado à Praça da Apoteose. Devoto de São Jorge, disse que poder representar o santo na abertura do desfile não teve preço. “Aprendi a ser devoto com a minha mãe. Nasci no mês de Jorge. Estou muito feliz. Teve uma energia muito forte”, destacou.

A Estácio de Sá entrou na avenida com a força da torcida no Setor 1 da arquibancada popular, mas logo os torcedores da escola ficaram apreensivos. O carro abre-alas, Berço da Civilização, que representava a Capadócia (região onde nasceu São Jorge), teve um problema na acoplagem das duas partes que compunham a alegoria e não andava.

As primeiras alas já iam no setor seguinte, enquanto a turma da força que são empurradores de alegorias tentava resolver o problema. O motorista Cláudio Luiz disse que tiveram que trocar o pino que juntava as duas partes por uma corrente. “Aí ele atravessou a avenida toda sem problema. Foi só trocar”, disse.

União da Ilha do Governador
A União da Ilha do Governador foi a segunda escola a entrar na avenida, ainda no domingo (7.2.16), para os desfiles do Grupo Especial. A apresentação que agradou o público mostrou o jeito descontraído do carioca se dedicar aos esportes. No desfile, a escola não esqueceu que a cidade é olímpica, e não faltaram atletas. A tocha olímpica foi conduzida em toda a avenida pelo maratonista brasileiro Wanderlei Cordeiro de Lima.

A escola mostrou também que o Rio é uma cidade que recebe bem quem chega, tanto que alguns preferem ficar para sempre. Durante o desfile da União da Ilha, o público vibrou com a comissão de frente feita pelo coreógrafo Patrick Carvalho. A maior parte dos integrantes era de tetraplégicos que, segundo Patrick, ensaiaram durante quatro meses.

Ele contou que a ideia de criar a comissão de frente foi dos carnavalescos Paulo Menezes e Jack Vasconcelos. Patrick Gomes era um dos integrantes e foi a primeira vez que passou na avenida em uma comissão de frente. “Foi trabalhoso, mas foi nota 10. Foi muito emocionante. O ensaio foi puxado”, contou. Paraplégico há 16 anos, o coreógafo disse que “tive muito medo [diante da responsabilidade de ser um quesito importante para a escola], mas foi prazeroso e buscamos a nota máxima.”

Beija-Flor
Terceira escola a entrar na avenida no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Rio, no domingo (7.2.16), a Beija-Flor contou a história de Cândido José de Araújo Lima, o Marquês de Sapucaí, que dá nome a avenida de desfiles. A escola, campeã de 2015, enfrentou dificuldades. Pouco depois de o presidente Farid Abrahão David dizer que se sentia satisfeito com o carnaval que apresentado pela escola, um carro emperrou no local. Era possível ver fumaça. Alguns componentes que estavam na alegoria eram crianças, que foram retiradas rapidamente do carro.

A escola resolveu investir em tecnologia e usou drones para captar imagens que serão analisadas na tentativa de aprimorar as apresentações. Laíla, diretor de carnaval da escola, disse que espera uma análise justa dos jurados. Ele aposta em um bicampeonato da escola. Piná, um dos destaques da Beija-Flor, preferiu ser mais cautelosa. “Acho que desfilamos bonito, mas vamos aguardar o resultado. Eu não gosto de cantar vitória antes. Vamos aguardar, na quarta-feira, os envelopes”, disse.

Selminha Sorriso, que há 21 anos forma com Claudinho o primeiro casal de porta-bandeira e mestre-sala da Beija-Flor, disse que, mesmo sendo veterana, ainda sente um friozinho na barriga quando atravessa a avenida defendendo o pavilhão azul e branco de Nilópolis. “A emoção não envelhece e não passa”, completou.

Para Fran-Sérgio, um dos carnavalescos da comissão de carnaval da Beija-Flor, a escola cumpriu o papel de fazer um grande espetáculo para o público. “Maravilhoso, emocionante, lindo”, avaliou.

Na bateria, a escola trouxe um grupo de 25 integrantes da Orquestra Maré do Amanhã, que ensina música a jovens da comunidade. Matheus Silvestre, 17 anos, que participa da orquestra há três anos, gostou de ter estreado na avenida. “Foi inovador e a gente não esperava que seria tão legal”, disse se referindo à união de sons dos violinos, tocados pelos jovens, e da bateria da escola. “Formou um som bem legal”, completou.

No fim do desfile, após a saída da bateria, o público dos setores populares da Apoteose brindou a escola com o grito de bicampeã.

Grande Rio
O enredo da Grande Rio acabou provocando uma viagem de seis horas de um grupo de 10 torcedores do Santos Futebol Clube, que moram no bairro Ponta da Praia. Segundo a cozinheira Cynthia Araújo, eles vieram em dois carros, saíram de Santos às 17h35 de sábado (6.2.16) e chegaram ao Rio às 2h da madrugada. O grupo está hospedado em uma casa de família, em Vila Isabel, zona norte do Rio. Os torcedores se programaram, compraram ingressos a R$ 75 para um dos setores populares da dispersão e ainda levaram uma bandeira do clube, que teve uma alegoria em sua homenagem no enredo Fui no Itororó beber água, não achei. Mas achei a bela Santos, e por ela me apaixonei… “Onde tem Santos a gente vai atrás”, contou Cynthia.

A atriz Suzana Vieira que veio em um dos carros alegóricos reclamou no final do desfile. “Eu não gostei de sair no carro. Ele balança muito e sou muito mais solta quando venho no chão”, revelou.

Na comissão de frente, o enredo fez uma homenagem a Pelé. Um ator representava o rei do futebol e destaque do Santos Futebol Clube. Vestido com um short azul e uma camisa da seleção brasileira com o número 10 nas costas, ele subia no alto da alegoria que caracterizava uma bola e fazia movimentos que eram respondidos pelo público com gritos e aplausos.

“A gente botou mais um filho no mundo e foi lindo. É um trabalho que levou três meses. É muito cansativo e acho que a recompensa foi o desfile incrível. Nas duas últimas semanas ensaiamos mais de 6 horas por dia, mas este grupo é valente e já está acostumado com isso”, analisou Rodrigo Negri, um dos dois coreógrafos da comissão de frente da Grande Rio. Priscilla Mota completa a dupla.

Mocidade Independente de Padre Miguel
A Mocidade Independente de Padre Miguel foi outra agremiação com dificuldades nas alegorias. O último carro emperrou na concentração e não conseguia fazer a virada da Avenida Presidente Vargas para a Marquês de Sapucaí. O jeito foi adiantar os integrantes da velha guarda, que seria a última ala da escola a passar pela passarela do samba. Quando já estavam entre o setor 1 e 3, a equipe técnica conseguiu fazer o carro rodar. O público vibrou com a solução do problema. Mais à frente, outro carro também ficou parado por alguns minutos na passarela do samba. O pessoal responsável por empurrar os carros conseguiu, com muita animação e dançando ao ritmo do samba enredo, destravar a alegoria.

O diretor de barracão, Marcelo Plácido, disse que as alegorias ficam cada vez maiores e mais pesadas e com isso a condução delas também fica mais difícil. “Nós utilizamos muito trabalho de Parintins, com maquinário, cabo de aço e às vezes acontece, emperra alguma coisa, não desce, mas não tem jeito. Foi o que aconteceu na concentração no carro 7”, explicou.

A cantora Anitta, destaque deste ano desfilando pela escola, causou movimentação na Apoteose quando foi cercada por jornalistas que queriam fazer entrevistas.Protegida por seguranças, ela disse que adorou a estreia na avenida. “Foi demais. Amei. Foi incrível. A Mocidade é maravilhosa. Já quero mais, quero de novo no ano que vem”, disse.

Unidos da Tijuca
Para fechar a apresentação a Escola Unidos da Tijuca não enfrentou dificuldades. O enredo Semeando sorriso, a Tijuca festeja o solo sagrado, mostrou a força da terra e do homem do campo. Uma das alegorias tinha uma plantação de milho caracterizada com um complemento de um trator cuja marca formava o nome de Tijuca, alem de ter as cores da escola: amarelo e azul.

O abre-alas em tom de terra chamou a atenção porque era uma alegoria viva, que é uma característica da escola quando em outros carnavais eram feitas pelo ex-carnavalesco da Tijuca, Paulo Barros. A alegoria de 2016 trazia seis componentes em movimento para formar o nome da escola. Além dos que participaram da formação da palavra, outros estavam espalhados no carro. Ao todo, segundo o coreógrafo Tony Tara eram 170 integrantes. Todos tiveram que fazer um preparo na concentração e passar argila com água, para manchar todo o corpo e ficarem com a cor de terra.

“Chegamos na concentração e cada um ganhou uma lata com argila para passar no corpo em poucos minutos já estava seco e ficou como se fosse um barro. Somos da escola, mas desfilávamos em alas diferentes, eram todos homens e negros”, contou o dançarino Willian Souza. O coreógrafo fez a seleção dos integrantes após avaliar 300 inscritos.

A porta-bandeira Rute considerou o desfile lindo mas fez uma crítica à Mocidade Independente que ao ter problemas nas alegorias acabou deixando um rastro de óleo em algumas partes da passarela. Ela disse que isso dificultou a exibição. O mestre-sala também disse que foi uma situação tensa.

“Realmente, tinha um óleo e em alguns momentos a gente teve que não entrar muito no centro da pista eu estava preocupado com os meus giros porque fico na ponta do pé é pouco atrito no chão e com óleo. Mas acho que a gente estava tão abençoado pela fantasia, pelo momento e pela escola. Foi maravilhoso”, contou, acrescentando que a fantasia dele era de Oxalá e a da Rute de Nanã, dois orixás. “Tenho certeza, após este desfile, que papai do céu abençoou a gente mais uma vez”.

Incentivo e ausência
Antes da Estácio de Sá, a primeira escola deste domingo começar a desfilar, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Jorge Castanheira, pediu ao público que mesmo com a crise econômica compareceu à Passarela do Samba que vibrasse com as escolas e incentivasse os componentes a quem desejou um bom carnaval. “Agradeço a todos, em nome das escolas de samba, em nome da cidade do Rio de Janeiro pela confiança de virem ao Sambódromo e lotarem essa avenida em um momento de dificuldade do nosso país”, indicou.

O presidente tomou ainda uma decisão neste primeiro dia: não substituir um dos quatro jurados do quesito bateria que não compareceu. Pelo regulamento a nota menor entre as quatro sempre é descartada. Para o caso deste ano, segundo a Liesa vão valer as outras três, sendo que se houver uma menor ela vai acompanhar as outras duas, a não ser, que sejam diferentes.

Fonte : Agência Brasil